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Um pouco da história de amor e caridade das Irmãs Ursulinas no Brasil

A história das Irmãs Ursulinas neste país iniciou-se quando, em 1966, as Irmãs Vicentinas deixaram a direção pedagógica do Instituto Dona Placidina. A escola já era tradicional na cidade, e o bispo Dom Paulo Rolim Loureiro achou por bem, em 1967, que o colégio continuasse sendo dirigido por uma congregação religiosa, visto que a busca pela formação também na questão dos valores sempre esteve entre os objetivos de ensino desta instituição. Sendo assim, Dom Paulo buscou acordo com as Irmãs Ursulinas da Sagrada Família por meio de diversas cartas trocadas com a Irmã Adele Scibilia, Madre Geral da Congregação na Itália. O então bispo sentiu-se motivado a procurar as Irmãs Ursulinas porque conhecia o trabalho das religiosas voltado para a educação como forma de superação das injustiças sociais, sobretudo as cometidas contra a mulher, graças ao carisma que sempre inspirou a Congregação: a vida e obra de Santa Ângela Mérici. E como mais uma demonstração de amor ao próximo e a Deus, no dia 04 de abril de 1967 chegaram ao Brasil quatro religiosas: Irmã Clara Zimmitti, Irmã Eugênia Saluzzo, Irmã Concetta Ruta (no Brasil, Irmã Conceição) e Irmã Salvadora Dell'Agli, acompanhadas da Madre Superiora. Uma vez no Brasil, a Irmã Clara Zimmiti foi orientada pela Madre Superiora para que se inteirasse das atividades escolares e estudasse as questões legais e estruturais do funcionamento de um estabelecimento de ensino no Brasil para que, em 1968, assumisse o setor pedágogico. A direção da Irmã Clara é conhecida e reconhecida por todos que passaram por esta instituição de ensino seja como aluno, pai de aluno ou funcionário. Na verdade, todos os que fizeram parte da "família Placidina", como ela mesma gostava de se referir ao corpo docente, discente e administrativo, reconhecem o importante trabalho desenvolvido por ela por décadas e décadas, em nome de um ensino de qualidade, sem nunca esquecer do lado humano da educação, do trabalho amoroso e caridoso que sempre inspirou a missão das Irmãs Ursulinas, não só no Instituto Dona P l a c i d i n a , m a s e m a l g u m a s comunidades. Em 1977, a mogiana Irmã Lourdes Aparecida de Souza, carinhosamente chamada de Irmã Lourdinha, ingressou na Congregação das Irmãs Ursulinas da Sagrada Família. No Instituto Dona Placidina, foi professora de Ensino Religioso, de centenas de crianças e adolescentes os quais aprendiam os princípios cristãos de maneira muito carinhosa, porém com muita seriedade. Também atuou ao lado da Irmã Clara Zimmiti, assumindo a vice direção pouco antes de seu inconsolável falecimento.

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Seu trabalho à frente do Centro Social no Conjunto Santo Ângelo, bem como, na década de 1980, na Vila da Prata, foi de extrema importância para muitas crianças, jovens e adultos que buscaram auxílio para superação de situações de risco no que diz respeito à violência e à carência material de itens básicos na vida do cidadão. No ano de 1980, veio ao Brasil a Irmã Maria Pia, a qual em 1983 passa a dirigir a unidade do Semi-Internato Benedicto Sérvulo de Sant'Anna. Nascida Maria Rosa Rivetta, em Íspica, na Itália, em 14 de janeiro de 1934, pronunciou os primeiros votos aos 20 anos. Lá passou duas décadas realizando serviços sociais e, durante toda sua exemplar vida em Mogi das Cruzes, dedicou-se, princ i p a l m e n t e , à s m e n i n a s q u e frequentavam o Semi-Internato, hoje Centro de Convivência. O carinho pelas meninas e o zelo que por elas tinha, certamente estão vivos nos corações de cada jovem e adulta que teve o privilégio de receber da instituição, não apenas educação e formação, mas também cuidado e amor. O ano de 1982 foi marcado pela viagem da Irmã Clara à Itália e, com isso, a Irmã Conceição assume seu posto. Ela então expôs para a Mesa Diretiva a necessidade de um espaço para manter as meninas do Semi- Internato e sugeriu que se comprasse uma propriedade que estava à venda também situada na rua Senador Dantas. O presidente, demais diretores e o Bispo Dom Emílio Pignoli mostraram-se favoráveis à compra, que se efetivou um mês depois. Em 1986, Irmã Conceição partiu para a Itália em busca de um tratamento para uma grave doença que ocasionou sua morte no dia 18 de dezembro do mesmo ano. Novamente dirigindo o Instituto Dona Placidina, Irmã Clara foi grande responsável pela ampliação do colégio em mais unidades de ensino e a implantação do Ensino Médio em 2008. Ela dedicou-se ao trabalho pedagógico até o ano de 2008, quando afastou-se por questões de saúde e devido à idade avançada. Desde 2009, Irmã Elena Ramos Bomfim assumiu a diretoria pedagógica do Instituto. Antes disso, já havia assumido a direção do Semi-Internato, o qual dirigiu com êxito. Essa experiência também motivou a indicação de seu nome para a direção do Instituto, que, sem dúvida alguma, mostrou-se um grande desafio para Irmã Elena. Certamente, inspirada pela confiança de Santa Ângela na capacidade da mulher de assumir importantes papéis na sociedade, a atual diretora do colégio abraçou essa missão com seriedade, dedicação e muito trabalho, colaborando diretamente para o crescimento da escola.